Copa do Mundo Digital: Audiência x Experiência

Publicação: 11/06/2026 - 14:00

Escrito por: Monique Villasboas

Hoje começa um dos maiores eventos esportivos do mundo. Pela primeira vez, uma Copa vai ser sediada em três países: Estados Unidos, México e Canadá. A tecnologia vai entrar em campo e promete dar um show de gols tanto na organização quanto na monetização do evento esportivo. Enquanto os atletas fazem as jogadas, a inteligência artificial prepara as jogadas para cruzar dados, monitorar e criar experiências personalizadas para cada torcedor.

A Copa do Mundo 2026 movimentará números e algoritmos históricos. A FIFA estima um público de aproximadamente 6,5 milhões de espectadores nos estádios ao longo dos 104 jogos do torneio. As projeções mais recentes indicam que a Copa deve gerar em torno de US$13 bilhões em receita, tornando-se a edição mais lucrativa da história.  Essa projeção pode ganhar ainda mais relevância quando considerada a abrangência digital do evento, por meio das transmissões e da análise de dados sobre o comportamento dos torcedores virtuais.

Plataformas digitais, redes sociais, aplicativos esportivos, streaming e e-commerce capturam milhares de sinais para entender o comportamento do consumidor e entregar campanhas cada vez mais emocionais e eficientes. O torcedor será então como um ecossistema de dados e cada clique, pesquisa, compra ou interação durante a Copa promete gerar informações valiosas.

Segundo estudo elaborado pela OpenEconomics (OE) e divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e pela FIFA, a Copa poderá gerar US$40,9 bilhões em PIB global adicional e, para empresas de tecnologia, martech e dados, a Copa vai ser uma mina de ouro.

Com a IA, as marcas conseguem identificar momentos de maior engajamento e recomendar produtos de acordo com o perfil do cliente. Dois consumidores acessando o mesmo aplicativo ao mesmo tempo podem visualizar ofertas completamente diferentes e a experiência de compra deixa de ser massificada e passa a ser individualizada.

As grandes marcas patrocinadoras do campeonato prometem uma experiência de entretenimento além das 200 horas de jogos. A FIFA anunciou o lançamento do jogo FIFA World Cup desenvolvido em parceria com a Netflix e o projeto vai permitir que os torcedores participem virtualmente da competição usando smartphones como controles e interagindo com as seleções e todos os estádios.

A Visa vem investindo em experiências digitais integradas e personalização baseada em dados. Para a Copa, a expectativa é de aumento no uso de tecnologias que conectam compra, entretenimento e experiência do torcedor em tempo real. Já a Coca-Cola tem ampliado o uso de IA para criar campanhas cocriadas pelos consumidores. A Adidas tem investido fortemente em conteúdo digital, comunidades de fãs, influenciadores e experiências híbridas.

Nesse movimento de manter o torcedor engajado mesmo após os 90 minutos da partida, a FIFA vai realizar os FIFA Fan Festivals que serão os principais centros de experiências para os torcedores fora dos estádios unindo entretenimento, música e ativações dos patrocinadores.

Ou seja, se por um lado os torcedores vibram e esperam a bola na rede, para as marcas o golaço da IA vai ser interpretar o comportamento do consumidor e ajustar a comunicação instantaneamente.

Na experiência presencial ao longo dos quase quarenta dias de competição, a IA também vai fazer o cruzamento para a melhor experiência do público. Com bilhões de interações previstas entre torcedores, turistas, marcas e patrocinadores a expectativa é de que a Inteligência Artificial auxilie no atendimento, transporte, atendimento e segurança.

A expectativa é de que as cidades-sede usem chatbots com IA para atender turistas em diferentes idiomas, oferecendo informações sobre acomodação, deslocamentos, experiências nos estádios e atrações turísticas. Outro golaço será também o monitoramento operacional com sistemas inteligentes para controle do número de pessoas, segurança e prevenção de acidentes nos estádios. A inovação também fica por conta de cachorros robôs com scanners facial patrulhando os estádios da Copa e dando suporte aos sistemas de segurança.

O grito do gol, a emoção da vitória e a imprevisibilidade do esporte seguem impossíveis de serem totalmente calculados e a seleção campeã da Copa só saberemos no dia 19 de julho, mas a inteligência artificial já tem garantida a sua medalha de ouro e será lembrada para sempre pela capacidade de transformar volumes de dados em experiências humanas eficientes e personalizadas.