O verdadeiro custo do desperdício em cloud (e por que ele voltou a crescer)

Publicação: 30/07/2026 - 18:00

Escrito por: Monique Villasboas

O relatório State of the Cloud Report da Flexera mostrou que o desperdício estimado em gastos com cloud chegou a 29% em 2026. A análise foi realizada com 753 tomadores de decisão de cloud entrevistados e chamou atenção pelo fato de reverter uma tendência de queda observada nos últimos cinco anos. O principal fator apontado foi o crescimento acelerado das cargas de Inteligência Artificial.

Workloads de IA generativa não se comportam como as cargas tradicionais que o FinOps aprendeu a domar. GPUs ficam provisionadas por picos de treinamento e continuam ociosas. Modelos são testados em produção sem critério claro de desligamento.

A maturidade de FinOps ainda é baixa

Embora FinOps tenha se consolidado como disciplina estratégica, poucas organizações alcançaram um nível elevado de maturidade. Segundo o State of FinOps 2026, publicado pela FinOps Foundation, 51,4% das empresas ainda estão no estágio “Walk”, fase em que existem práticas iniciais de visibilidade e controle, mas a tomada de decisão ainda depende fortemente de processos manuais.

Apenas 14,2% das organizações chegaram ao estágio “Run”, considerado o nível mais avançado de operação, no qual otimização contínua, automação e decisões orientadas por dados fazem parte da rotina.

Isso significa que a maioria das empresas ainda reage aos custos depois que eles aparecem na fatura. Assim, a conversa sobre cloud deixou de ser apenas tecnológica e passou a ocupar espaço nas reuniões financeiras.

Da otimização para a automação

As discussões mais recentes do mercado mostram que FinOps está entrando em uma nova fase: a da automação inteligente. Empresas começam a buscar agentes capazes de acompanhar continuamente o ambiente, identificar desperdícios, recomendar ações e executar otimizações.

Em vez de apenas gerar dashboards, esses agentes passam a atuar como verdadeiros copilotos financeiros da infraestrutura. O objetivo deixa de ser apenas reduzir custos e passa a ser maximizar o retorno de cada real investido em infraestrutura digital.

Times de tecnologia agora atuam para autofinanciar investimentos em IA através de economias de otimização em cloud. Em outras palavras, a eficiência que se ganha cortando desperdício vira o orçamento que libera o próximo investimento em IA.

O papel estratégico do CFO

Esse novo cenário também redefine o papel da liderança financeira. Historicamente, a cloud era vista como um centro de custo tecnológico. Hoje, ela representa uma das principais alavancas de competitividade da empresa.

As organizações mais maduras já perceberam que dashboards, sozinhos, não resolvem o problema. Visibilidade é importante, mas agir rapidamente é ainda mais importante.

O futuro aponta para plataformas capazes de combinar observabilidade, inteligência artificial, automação e governança em um único fluxo operacional.

Nesse modelo, sistemas inteligentes analisam continuamente milhares de métricas de infraestrutura, identificam padrões de desperdício e apoiam decisões quase em tempo real.

O verdadeiro desafio é garantir que cada investimento em cloud gere valor mensurável para o negócio. Empresas que tratam FinOps apenas como um projeto de redução de despesas correm o risco de ficar presas ao ciclo permanente de urgência. Já aquelas que adotam práticas maduras estarão mais preparadas para sustentar o crescimento da IA com eficiência, previsibilidade e governança.

Três movimentos parecem se impor a qualquer CFO:

– Separar o desperdício “clássico” do desperdício de IA. São problemas diferentes, com ferramentas e ciclos de decisão diferentes. Medir os dois juntos esconde onde está a origem real do aumento.

– Perguntar se a automação já substituiu a revisão manual onde a velocidade de decisão importa. Se workloads de IA sobem e descem em horas, um processo de revisão mensal não tem como capturar o desperdício antes que ele vire custo consolidado.

– Tratar a eficiência de cloud como fonte de funding, não como economia de linha. Se a organização está sendo pressionada a autofinanciar IA via otimização, vale tornar esse vínculo explícito no orçamento.

OPT-3: o único produto brasileiro de FinOps para a era da IA 

Ambientes em cloud crescem rápido. Com o avanço de dados, IA, analytics e automações, acompanhar esse consumo com clareza se torna ainda mais importante. Foi por isso que a Jump criou o OPT-3, uma plataforma multicloud de FinOps que conecta as soluções de cloud e, em dez dias, produz uma análise completa do investimento da sua empresa na nuvem.

O OPT-3 conecta tecnologia, operação e negócio para transformar dados financeiros da cloud em inteligência para tomada de decisão. Ele consolida os ambientes de cloud em uma visão única, além de detectar anomalias, priorizar recomendações de rightsizing e entregar ao time financeiro e à liderança a clareza que os provedores de nuvem nunca foram projetados para oferecer.

A ferramenta já está em operação e possui clientes com ROI documentado de até 61%. A plataforma evolui no ritmo do seu time seguindo a lógica evolutiva da FinOps Foundation. A análise do momento da empresa passa por três etapas:

Crawl – enxergue seus custos

Walk – otimize com confiança

Run – FinOps como cultura

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