No dia 11 de agosto de 2026, o Parque Ibirapuera recebeu a primeira edição do SP2B, São Paulo Beyond Business. Durante oito dias, o evento reuniu mais de dois mil palestrantes em uma programação distribuída por mais de vinte palcos, colocando tecnologia, negócios, cultura e inovação no centro das discussões. A proposta do SP2B parte de uma ambição semelhante à do SXSW, nos Estados Unidos: criar um grande ponto de encontro para diferentes setores discutirem as transformações que estão acontecendo e os caminhos que se abrem para os negócios. Em São Paulo, maior polo econômico da América Latina, a ideia encontra um cenário natural para essa conversa.
Os números da primeira edição ajudam a dimensionar o tamanho do evento. Foram 750 painéis, mais de mil horas de conteúdo e uma expectativa de 700 mil pessoas circulando pelo Ibirapuera ao longo da semana. A produção é da DA20, mesma empresa responsável pelo Rio2C, com curadoria que inclui nomes como Hugh Forrest, ex-presidente do SXSW, e Zé Ricardo, diretor artístico do Rock in Rio. Foi nesse ambiente que Rafael Capua, COO e sócio fundador da Jump, participou do painel Smart Growth, no palco Beehive Innovation. Ao lado de Thiago Aor, sócio e CFO da Cora, e com mediação de Rafa Cappai, CEO da Espaçonave, Rafael falou sobre uma questão que acompanha qualquer empresa em processo de expansão: como crescer sem deixar que a velocidade comprometa a eficiência, a essência e, sobretudo, a racionalidade do negócio.
Para a Jump, estar no SP2B foi uma escolha deliberada,; o evento concentra empreendedores, executivos e investidores que estão pensando nos próximos passos de seus negócios. O tema do painel também conversa diretamente com o que a empresa vive na prática, tanto nos projetos que conduz com seus clientes quanto na forma como desenvolve e lança seus próprios produtos.
Quando a primeira pergunta é sobre IA
Rafa Cappai abriu o painel com uma pergunta que levou os participantes diretamente aos bastidores do crescimento: qual foi o aprendizado mais doloroso de escalar uma empresa? A resposta de Rafael passou por uma questão que se tornou cada vez mais presente nas empresas: a adoção de inteligência artificial antes de entender o problema que se pretende resolver.
“Muita gente chega no cliente e já tem na cabeça que precisa de IA. Essa nunca deve ser a primeira pergunta. A gente acredita que a primeira pergunta tem que estar relacionada ao processo, às pessoas, a quem está envolvido, para aí sim usar a tecnologia e a IA como meio”, disse Capua durante o painel.
“A lógica muda a ordem da conversa, antes de pensar em qual tecnologia usar, é preciso entender o processo, as pessoas envolvidas e o problema que precisa ser resolvido. Quando essa ordem é invertida, a inteligência artificial pode acabar apenas acelerando uma operação que já não funciona bem. A empresa passa a produzir mais e automatizar mais, mas sem necessariamente resolver aquilo que deveria estar no centro da operação”, explica.
Essa questão ganha ainda mais relevância à medida que as ferramentas de IA passam a fazer parte da rotina dos times. A capacidade de produzir aumenta, mas a decisão sobre onde e como aplicar essa tecnologia precisa acompanhar o mesmo ritmo.
Como faz a Jump
Essa preocupação com processos também aparece na maneira como a Jump desenvolve seus próprios produtos. Durante o painel, Rafael contou que a empresa criou uma cultura de desenvolvimento em que cada nova solução é tratada como uma micro-startup. Cada produto parte de uma tese, tem um prazo e critérios de validação definidos. A ideia é colocar essa hipótese diante do cliente rapidamente para descobrir se ela responde, de fato, a uma necessidade.
Com um time de produtos de cerca de quinze pessoas, a Jump consegue ter uma tese pronta para ser testada com o cliente em até vinte dias. O produto não precisa estar perfeito para ser testado. Precisa ser suficiente para confirmar ou refutar a hipótese. A partir dessa resposta, a empresa consegue entender se deve avançar, ajustar a proposta ou seguir por outro caminho.
O OPT-3, produto de FinOps da Jump que monitora e otimiza custos de cloud em ambientes como AWS, Azure, GCP e Databricks, foi citado como exemplo concreto desse processo. A solução nasceu de uma dor real de um cliente que via sua conta de nuvem crescer sem entender o motivo. A Jump construiu o produto, testou a tese e conseguiu reduzir o custo de cloud do cliente em 61%. O número é um resultado documentado com cliente real.
Quando a IA muda o lugar do gargalo
O avanço da inteligência artificial também começa a alterar uma dinâmica importante dentro das empresas. Quando os times conseguem produzir mais, em menos tempo, aumenta também o volume de entregas que precisa ser acompanhado por quem está na liderança. Foi nesse ponto que Rafael chamou atenção para uma mudança no lugar do gargalo.
“A quantidade de deliverables que a gente começou a fazer com IA é impressionantemente maior. Só que o gargalo, por incrível que pareça, passa a ser a liderança no final”, disse.
A tecnologia aumenta a capacidade de produção, mas alguém ainda precisa revisar, aprovar e dar contexto para aquilo que está sendo produzido. Em muitos casos, essa responsabilidade chega até o topo da organização. A solução não é retirar o humano do processo, é redesenhar a operação para que o humano continue sendo o ponto de decisão, sem se transformar no ponto que impede o trabalho de avançar.
Essa mudança exige que as empresas olhem para seus processos com a mesma atenção que dedicam às ferramentas que estão adotando. Afinal, não basta aumentar a velocidade de produção se a estrutura de decisão continua funcionando no mesmo ritmo de antes.
Crescer também exige saber onde parar
O painel Smart Growth colocou no centro uma tensão que acompanha praticamente toda empresa em crescimento: a busca por velocidade e a necessidade de construir uma estrutura capaz de sustentá-la. Rafael e Thiago chegaram ao palco com histórias diferentes. A Cora precisou parar para respirar depois de queimar caixa em ritmo acelerado. A Jump, por sua vez, cresceu de dois para seiscentos colaboradores sem nunca captar rodada externa.
As trajetórias são distintas, mas levaram a uma conclusão semelhante: crescer bem exige saber dizer não. Também exige entender o que está por baixo antes de acelerar aquilo que está por cima. Processos, pessoas e dados precisam fazer parte da estrutura que sustenta a operação, principalmente quando a empresa passa a lidar com um ritmo maior de crescimento. Essa é uma conversa que a Jump leva para seus clientes em cada projeto e também está presente na forma como a empresa desenvolve seus próprios produtos e decide onde concentrar seus esforços.
No SP2B, essa discussão ganhou espaço diante de empreendedores, executivos e investidores que estão enfrentando perguntas semelhantes em seus próprios negócios. Na estreia do evento em São Paulo, o painel Smart Growth trouxe uma discussão que vai além da velocidade de crescimento: Entender o que precisa estar estruturado antes de acelerar, onde a tecnologia realmente faz sentido e como manter a capacidade de decisão enquanto a empresa cresce.
Foi essa experiência prática que Rafael Capua levou ao palco do SP2B em nome da Jump, em uma conversa sobre crescimento, eficiência, tecnologia e as escolhas que definem os próximos passos de uma empresa, permearam o painel trazendo grandes aprendizados.