À medida que a GenAI avança, preparar profissionais para utilizar, supervisionar e extrair valor da IA se torna o gargalo da transformação digital. Com o tema “Agentes Inteligentes, Liderança Humana” o Febraban Tech 2026, realizado na última semana, em São Paulo, reuniu executivos dos principais bancos do país e especialistas em tecnologia, e um dos principais pontos do debate foi justamente a capacitação dos profissionais.
O que os números da Febraban Tech mostram?
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 apontou que os bancos brasileiros devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026. Desse total, cerca de R$ 3 bilhões serão destinados a IA, Analytics e Big Data, enquanto os investimentos em migração para cloud devem alcançar R$ 3,9 bilhões, alta de 30%.
Paralelamente, os investimentos em treinamento e capacitação profissional especificamente em IA e IA Generativa devem chegar a R$ 29,4 milhões, crescimento de 31%.
Os números mostram que infraestrutura tecnológica e capacidade humana começam a avançar na mesma direção. Investir em modelos, dados e cloud amplia a capacidade tecnológica; investir em capacitação é fundamental para que essa capacidade seja poderá ser incorporada aos processos e transformada em resultado.
“IA para mim é uma infraestrutura central para a tomada de decisão. A IA em si não é um diferencial, a forma como você usa a IA é que vai diferenciar pessoas, empresas e nações”, declarou Maurício Minas, presidente do Conselho do Febraban Tech e conselheiro do Bradesco e da B3 ao Portal Febraban.
O que é capacitação em IA?
Capacitação em IA é o desenvolvimento das competências necessárias para que profissionais utilizem, supervisionem e avaliem sistemas de Inteligência Artificial de forma produtiva, segura e alinhada aos objetivos do negócio. Ela envolve fluência tecnológica, conhecimento do negócio, governança, segurança e capacidade de mensurar resultados.
IA ganhou orçamento, pessoas precisam ganhar capacidade
Os debates do Febraban Tech ajudam a mostrar que a transformação não acontece em camadas independentes. Agentes organizam e executam o trabalho, dados e cloud fornecem contexto e capacidade computacional, governança estabelece os limites da execução e as pessoas sustentam responsabilidade, conhecimento e segurança.
É a coordenação entre essas dimensões que permitirá escalar IA de forma sustentável. Para as lideranças, isso significa olhar para capacitação como investimento na capacidade operacional da organização.
A adoção da IA e GenAI nas instituições financeiras já está em andamento. A capacitação é que está correndo atrás. Até agora, os benefícios obtidos com IA ainda estão concentrados principalmente em ganhos de produtividade e automação, enquanto aplicações que envolvem decisões mais sofisticadas e julgamento ampliado permanecem distantes do valor estratégico que a tecnologia promete.
É a coordenação entre essas dimensões que permitirá escalar IA de forma sustentável. Para as lideranças, isso significa olhar para a capacitação como investimento na capacidade operacional da organização, e não apenas como item de treinamento corporativo.
A Pesquisa FEBRABAN mostra que 70% dos bancos já possuem ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional. No último ano, 226,1 mil profissionais do setor bancário receberam treinamento em tecnologia, com investimento total de R$ 100,4 milhões. Ao mesmo tempo, 42% das instituições pesquisadas pretendem ampliar suas equipes de TI, com crescimento médio previsto de 22%.
As competências estão mudando mais rápido
Uma empresa pode desenvolver agentes e descobrir que seus processos não estão preparados para delegar decisões. Também pode automatizar atividades sem estabelecer claramente quem supervisiona as respostas.
Nesse cenário, tecnologia sem capacidade operacional pode se transformar em backlog caro, ferramentas subutilizadas e experimentos que nunca chegam à escala.
O fenômeno não está restrito ao setor financeiro brasileiro. O Global AI Jobs Barometer 2025, da PwC, analisou quase um bilhão de anúncios de emprego em seis continentes e identificou que as competências procuradas pelos empregadores estavam mudando 66% mais rapidamente nas ocupações mais expostas à IA.
“A relação tradicional entre experiência e especialização está mudando. A IA está eliminando parte do trabalho rotineiro que antes funcionava como uma etapa de aprendizado e formação profissional, ao mesmo tempo em que aumenta, desde o início da carreira, a demanda por capacidade de julgamento, liderança e adaptabilidade. As organizações precisam repensar como desenvolvem seus talentos se quiserem que as pessoas prosperem nesse novo ambiente.”
Pete Brown, líder global de Workforce da PwC
Requalificação não pode ser apenas treinamento em ferramentas
Uma estratégia consistente de requalificação deveria combinar pelo menos quatro dimensões.
Fluência em IA: compreender possibilidades, limitações e funcionamento básico da tecnologia.
Conhecimento do negócio: identificar problemas nos quais a IA efetivamente pode gerar valor.
Governança: entender segurança, privacidade, responsabilidade, qualidade de dados e limites para decisões automatizadas.
Mensuração: conseguir relacionar utilização da IA a produtividade, eficiência, receita, redução de risco ou melhoria da experiência do cliente.
Produtividade X ROI de IA
Um estudo da PwC mostrou que os setores mais expostos à IA apresentaram crescimento de receita por empregado três vezes superior ao registrado pelos setores menos expostos. A produtividade também avançou de forma significativamente mais rápida nos setores com maior exposição à tecnologia.
Esses resultados sugerem que quando tecnologia, processos e competências conseguem trabalhar juntos, existe potencial para ampliar a capacidade produtiva das pessoas. Mas há uma variável que cresce junto com a autonomia dos agentes: quanto mais eles decidem sozinhos, mais importante se torna saber quem pode decidir, quem deve validar e quem responde pela decisão.
É por isso que a discussão sobre ROI da IA não pode parar na régua de produtividade. Ela precisa incluir capital humano e precisa incluir governança. Um agente que executa mais rápido sem um dono claro, sem trilha de decisão auditável e sem inventário do que está rodando não é eficiência, é risco represado.
Governar escala exige especialização
O que vemos no setor financeiro é apenas um recorte da realidade das empresas que estão operando com IA. Treinar 226 mil profissionais é um esforço contínuo, e enquanto a capacitação interna avança, os agentes já estão em produção, tomando decisões que precisam ter responsáveis claramente definidos e estar devidamente inventariadas. É aí que entra a diferença entre construir capacidade do zero e contratar quem já resolveu esse problema em escala.
Esse cenário coloca um desafio adicional para as organizações: não basta colocar agentes em produção, é preciso criar uma estrutura capaz de acompanhar sua evolução, estabelecer responsabilidades e garantir que seu uso esteja alinhado aos objetivos do negócio. Construir essa capacidade internamente exige tempo, conhecimento especializado e processos de governança que acompanhem a velocidade da tecnologia.
É justamente nesse ponto que contar com uma expertise especializada pode acelerar a jornada. Em vez de começar do zero, as empresas podem recorrer a parceiros que já possuem experiência na estruturação de ambientes de dados, IA e governança, reduzindo o tempo entre a adoção da tecnologia e a geração de valor em escala.
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