Quanto custa não ter visibilidade multicloud?

Publicação: 20/08/2026 - 19:00

Escrito por: Monique Villasboas

Quase um terço de cada real investido em infraestrutura de nuvem hoje pode estar financiando algo que não gera valor. Trabalhar com diferentes provedores pode ser uma decisão estratégica, mas o problema surge quando a arquitetura se torna multicloud e a gestão financeira continua fragmentada. 

Segundo dados da Flexera, 73% das organizações pesquisadas operam ambientes híbridos, enquanto a adoção multicloud também continua crescendo. Entre as grandes empresas pesquisadas, 76% já gastam mais de US$ 5 milhões por mês em public cloud. Nesse nível de investimento, alguns pontos percentuais de ineficiência deixam de representar apenas um problema operacional e passam a ser uma questão de resultado. 

Multicloud multiplica possibilidades e pontos cegos 

A lógica da diversificação multicloud faz sentido do ponto de vista estratégico: reduzir a dependência de um único fornecedor, aproveitar capacidades específicas de cada plataforma e garantir continuidade operacional. 

Apesar desses benefícios, sem uma visão consolidada, a organização pode ter dificuldade para identificar quem está consumindo determinado recurso, comparar custos, detectar anomalias, avaliar compromissos ou estabelecer o custo real de uma aplicação, produto ou cliente. 

O relatório State of the Cloud 2026, da Flexera, mostra que o desperdício estimado em nuvem subiu para 29% do gasto em IaaS e PaaS, revertendo uma tendência de queda que durava cinco anos. 

Esse cenário já seria suficiente para colocar a eficiência de custos no centro da agenda financeira. Com a expansão da inteligência artificial, porém, o desafio ganha uma nova dimensão: além de administrar ambientes cada vez mais distribuídos, as empresas precisam lidar com padrões de consumo mais dinâmicos e difíceis de prever. 

IA torna essa conta ainda mais urgente 

A causa apontada pelo próprio relatório é direta: a complexidade trazida por workloads de IA e novos serviços PaaS cresceu mais rápido do que a capacidade de governança das empresas. 

A inteligência artificial adicionou uma nova variável à economia de cloud: consumo altamente dinâmico. Modelos, GPUs, inferência, tokens, armazenamento, pipelines de dados, APIs e agentes podem apresentar padrões financeiros muito diferentes da infraestrutura tradicional. 

A dificuldade para o financeiro não é a falta de dados, mas o excesso de dados fragmentados. Cada provedor de nuvem gera sua própria fatura, utiliza sua própria nomenclatura e oferece seu próprio painel de custos. Sem uma plataforma de observabilidade que unifique esses dados, o desperdício fica invisível. 

Se a falta de visibilidade impede identificar onde está o desperdício, o próximo passo é transformar essa falta de informação em uma variável financeira. Afinal, antes de investir em uma camada de gestão multicloud, é preciso entender quanto custa não ter essa visibilidade e qual potencial de economia ela pode revelar. 

Como calcular o ROI de visibilidade multicloud 

A fórmula que transforma o problema em decisão de investimento não é uma fórmula abstrata. É a mesma lógica usada em qualquer business case de eficiência operacional, só que aplicada a uma categoria de custo que, até pouco tempo, ficava fora do radar do CFO. 

A jornada pode começar pelo cálculo: 

Spend (gasto anual em nuvem) × % Waste (29% taxa de desperdício estimada) × % Recuperação = Economia potencial 

Por exemplo, se uma empresa tem um gasto anual em nuvem de R$ 20.000.000 × 29% = R$ 5.800.000 em desperdício estimado. Desse total, operações com prática de FinOps madura reportam recuperação de 25% a 30% do valor identificado, o que representa entre R$ 1.450.000 e R$ 1.740.000 em economia recuperável no primeiro ciclo, sem cortar capacidade, migrar workloads ou negociar um novo contrato com o provedor. 

Visibilidade permite separar eficiência de simples corte 

A visibilidade multicloud é, antes de tudo, uma decisão de alocação de capital. Ela tem ROI calculável, payback estimável e impacto direto na margem, critérios que CFOs já usam para aprovar qualquer outro investimento da empresa. 

Para transformar essa visão em resultado, a empresa precisa ir além de simplesmente reunir dados de diferentes provedores. É necessário criar uma jornada que conecte visibilidade, governança e otimização, permitindo que cada etapa de maturidade gere decisões mais precisas sobre onde reduzir desperdícios e onde direcionar novos investimentos. 

É essa lente que estrutura o framework Crawl/Walk/Run de gestão de custos multicloud do OPT-3, a primeira solução no mercado brasileiro criada pela Jump de FinOps para a era da IA. O OPT-3 conecta tecnologia, operação e negócio para transformar dados financeiros da cloud em inteligência para a tomada de decisão. 

Ele consolida ambientes de cloud em uma visão única para detectar anomalias, priorizar recomendações de rightsizing e oferecer ao time financeiro e à liderança uma clareza que os provedores de nuvem não foram projetados para oferecer. 

A plataforma evolui no ritmo da empresa, seguindo a lógica evolutiva da FinOps Foundation, e passa por três etapas. O objetivo é, primeiro, consolidar a visibilidade multicloud em uma única camada de dados confiável; depois, transformar essa visibilidade em governança ativa de custos, com alertas definidos por centro de custo e, por fim, automatizar a otimização contínua de custos em nuvem, incluindo workloads de IA, sem depender de intervenção manual recorrente. 

Na prática, essa evolução transforma a gestão de custos de uma atividade reativa em um processo contínuo, no qual a empresa consegue identificar oportunidades, priorizar ações e acompanhar os resultados ao longo do tempo. 

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Perguntas frequentes sobre visibilidade de custos multicloud

Qual a diferença entre desperdício de nuvem e superprovisionamento? Superprovisionamento é uma das causas do desperdício de gasto em nuvem — recursos dimensionados acima da necessidade real de uso. Desperdício é o conceito mais amplo, que também inclui recursos órfãos, ambientes esquecidos, licenças não utilizadas e descontos de commitment não aproveitados.

Como calcular o ROI de uma plataforma de visibilidade multicloud? Multiplique o gasto anual em nuvem pela taxa de desperdício estimada (benchmark de mercado: 29%, segundo a Flexera) e, em seguida, pela taxa de recuperação esperada com prática de FinOps madura (25% a 30%). O resultado é a economia potencial recuperável no primeiro ciclo de otimização.

Uma operação pequena também sofre com desperdício multicloud? Sim. Segundo dados do mercado, empresas menores tendem a desperdiçar uma proporção maior do gasto em nuvem, enquanto empresas grandes desperdiçam valores absolutos maiores. A gestão de custos multicloud importa em qualquer escala de operação.

Quanto tempo leva para uma empresa recuperar o desperdício de nuvem identificado? Depende da maturidade de FinOps da operação, mas o primeiro ciclo de recuperação — com visibilidade consolidada e ownership de custo definido — costuma gerar resultado mensurável dentro de um trimestre, sem necessidade de renegociação contratual ou migração de workload.

Qual a diferença entre FinOps e gestão de custos multicloud? FinOps é a disciplina e a cultura de responsabilidade financeira compartilhada entre engenharia, finanças e liderança. Gestão de custos multicloud é a aplicação prática dessa disciplina em ambientes com mais de um provedor de nuvem, exigindo uma camada de dados unificada para funcionar.