Quase duas décadas após redefinir o imaginário sobre moda, poder e influência, O Diabo Veste Prada 2 estreia nos cinemas do mundo hoje, e Runway não é mais apenas uma revista, mas uma metáfora para todas as marcas que enfrentam a transformação digital.
O Diabo Veste Prada 2 chega ao mercado com alto investimento e forte ativação de marca, um modelo que Hollywood aperfeiçoou ao longo de décadas e agora potencializa com estratégias de marketing e dados.
Projeções indicam um faturamento de US$ 175 a US$ 190 milhões no primeiro fim de semana global com o potencial de ultrapassar rapidamente o total do primeiro filme (US$ 326 milhões ao longo de toda a exibição). O orçamento da produção custou cerca de US$ 100 milhões e a estimativa da verba de marketing, embora não divulgado oficialmente, sugere algo entre US$ 50M e US$ 100M adicionais.
No primeiro filme, Miranda Priestly definia tendências com autoridade absoluta. Agora no segundo, ela enfrenta algo mais poderoso que qualquer editor: a descentralização da influência. Esse movimento reflete diretamente o que acontece no marketing atual que saiu das mãos de poucos influenciadores, passou para plataformas orientadas por dados e agora evolui para sistemas autônomos.
Martech como infraestrutura de influência
Se antes a influência era construída por revistas como Runway, hoje ela é construída por stacks de Martech. O mercado global de Martech cresce impulsionado por três pilares: dados, automação e inteligência artificial. Segundo a Business Reserch Insights, o mercado está projetado para atingir US$ 962 bilhões até 2035, com uma taxa de crescimento de 8,15% de 2026 a 2035. Essa estimativa reflete a crescente demanda por experiências personalizadas e a consolidação da tomada de decisão baseada em dados, impulsionadas por inovações tecnológicas como IA generativa e automação de campanhas.
Um dado particularmente relevante: o buzz gerado antes da estreia já movimentou US$ 38,6 milhões em valor de Midia Impact Value (MIV) para marcas de moda associadas. O Diabo Veste Prada 2 não está apenas projetado para ser um sucesso de bilheteria, mas um case sofisticado de martech aplicado ao entretenimento global com engajamento social, share of voice e conversão indireta em vendas de produtos associados. Plataformas como Salesforce e Adobe permitem integrar esses dados em dashboards únicos.
O volume de visualizações do trailer (centenas de milhões em 24h) é insight acionável com segmentação de públicos por comportamento, ajuste de campanhas em tempo real e testes A/B de criativos e mensagens. Plataformas como Google, Meta e TikTok são utilizadas para amplificar e otimizar essa distribuição.
Influência e social commerce
O filme opera como um verdadeiro hub de influência com parcerias com marcas de moda e beleza, ativações com influenciadores em redes sociais. Isso transforma awareness em intenção de compra mensurável. As colaborações com marcas (luxo, automóveis, bebidas) são canais de distribuição adicionais, ampliação de alcance com públicos qualificados e compartilhamento de dados entre parceiros.
Na prática, o filme funciona como uma plataforma omnichannel de ativação de marca, onde cada interação do trailer ao Instagram alimenta um ecossistema de decisão. No passado a indústria do cinema dominava a arte de contar histórias e hoje o diferencial é dominar a capacidade de transformar histórias em dados, dados em estratégia e estratégia em receita.
As parcerias foram pensadas para se encaixar naturalmente no universo da revista fictícia. Grande parte das parcerias incluíram campanhas publicitárias criadas especificamente para o universo do filme e levaram a experiência para o ambiente digital. O filme também impulsionou ativações presenciais sofisticadas: pop-ups em Nova York, menu secreto da Starbucks e produtos exclusivos com destaque para a Diet Coke (latas especiais slim e a criação do Canny Pack, bolsa de couro para carregar refrigerante).
A estreia mundial no Lincoln Center contou com ativações tecnológicas como um provador virtual interativo do Google e a captura de imagens com estética cinematográfica pelos celulares S26 da Samsung.
Da curadoria humana à curadoria algorítmica
Se Miranda Priestly era o centro decisório da Runway com a curadoria humana, centralizada e intuitiva, hoje ela é algorítmica, descentralizada e orientada por dados e o lançamento de O Diabo Veste Prada 2 simboliza uma ruptura clara de que estamos redefinindo quem toma decisões. O filme da Disney é mais do que nostalgia mas um alerta de que a influência evolui, o poder se transforma e liderança exige adaptação.
A evolução dos pagamentos
Aliado ao martech para direcionamento de consumo, a IA agêntica surge como uma evolução para atingir objetivos específicos com pouca ou nenhuma intervenção humana. Empresas como a Visa estão liderando essa transição com sistemas capazes de agir de forma autônoma, tomar decisões com base em objetivos e executar jornadas completas. Agora agentes digitais negociam ofertas, ajustam preços e personalizam experiências em tempo real.
Nesta quarta-feira, (29) foi lançado o Visa Agentic Ready, um programa global criado para preparar o ecossistema de pagamentos para a próxima fase do comércio via agentes de IA. A iniciativa conta com a participação inicial de Banco do Brasil, Bradesco, Dock, Santander e XP.
“À medida que agentes de inteligência artificial passam a influenciar cada vez mais a forma como as pessoas compram, os pagamentos precisam acompanhar essa evolução”, afirma Catalina Tobar, Head de Produtos de Crescimentos e Parcerias VISA para a Revista Forbes.